Quando até os heróis precisam de um lar para seguir lutando
Além das festas de fim de ano, esta virada também foi marcada pelos teasers do futuro megaevento da Marvel — e por reflexões que me levaram muito além da tela.
Semana após semana, a Casa das Ideias iniciou a contagem regressiva para Avengers: Doomsday. Assisti a cada trailer ao lado dos meus filhos, a quem ensinei a amar essas histórias enquanto os colocava para dormir. Ainda são pequenos para a maioria dos filmes, então eu resumia (do meu jeito).
Heróis que fizeram parte da minha infância e juventude, primeiro nos quadrinhos e animações, depois no cinema por mais de 20 anos. Personagens que, de alguma forma, ajudaram a moldar o que eu entendia como força, coragem, liderança e propósito.
Mas algo mudou.
Nos novos teasers, Steve Rogers não veste mais o uniforme. Não porque abandonou seus valores — ele apenas entendeu que sua missão agora é outra. Thor, o deus que sempre vence pela força, aparece rezando. Não por glória. Mas por uma chance de voltar da batalha e viver momentos de serenidade com a filha adotiva, Love.
Não sei se o teaser dos X-Men se encaixa diretamente nessa temática, mas é válido pensar que o Professor Xavier sempre atuou como uma figura paterna, especialmente com o líder da equipe, Ciclope.
Enquanto isso, do lado de cá da tela, minha própria história também entrou em uma nova saga neste último mês. Pouco antes das festas de fim de ano, fui desligado da empresa onde atuei por anos. Metas batidas. Crescimento consistente. Reconhecimento de colegas e clientes. Ainda assim, uma reestruturação global encerrou um ciclo que, até então, parecia sólido.
Como Steve, precisei deixar de vestir uma camisa que usei com orgulho. Como Thor, me vi em silêncio, pedindo sabedoria para ressignificar o próximo desafio.
A diferença é que, desta vez, a próxima batalha não é apenas profissional. É contra o tempo. Não só o tempo da recolocação, como em outros momentos, mas o de garantir equilíbrio entre performance e propósito. Por isso, qualquer nova oportunidade precisa respeitar meu maior motivador: presença.
Meus filhos amam os heróis da Marvel. Mas eles não precisam que eu salve o mundo. Precisam que eu esteja ali de vez em quando para buscar na escola, contar histórias antes de dormir, sentar no chão e brincar com bonequinhos nos fins de semana — para estar presente, e cumprir meu destino.
Talvez esse seja o verdadeiro arco de amadurecimento que esses filmes começam a mostrar: o momento em que até os heróis mais aclamados entendem que precisam escolher com consciência onde vale a pena lutar — e, principalmente, para quem vale a pena voltar.
No fim, não é sobre quantas batalhas vencemos. É sobre “quem você será quando fechar os olhos” ao fim do dia.
E talvez esse seja o maior exemplo de liderança que podemos vivenciar.
0 Comentários