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Infância Infinita: Parte 1 — O preço da obediência

Será que o mundo não está cheio de “seguidores” demais? (O duplo sentido é proposital.) E será que isso tem algo a ver com a educação que recebemos na infância?

Desde que nos mudamos, temos frequentado mais a igreja. E preciso reconhecer: muitas vezes, meus filhos “competem” com a voz do padre no altar. É muita energia para ser contida por mais de uma hora. Eu não os culpo — também só consegui frequentar missas com regularidade quando já era mais velho. Mas o ponto é que crianças curiosas, expansivas ou cheias de energia ainda são vistas com olhares atravessados, principalmente pelos mais idosos (ou pelos militares, que são muitos por aqui).

O treinamento da obediência

Durante boa parte do século XX, a obediência foi tratada como virtude. Eu cresci em um modelo de escola que mais parecia uma linha de montagem do que um espaço de descoberta. As carteiras enfileiradas, o quadro negro como centro do universo e a regra clara: quem perguntava demais atrapalhava o ritmo da turma.

As respostas certas já estavam no caderno do professor, e o objetivo não era formar pensadores, mas bons executores. A escola era uma fábrica de comportamentos — e a sociedade, uma extensão dela. Em casa, o mesmo princípio: quem calava e obedecia era “bem-educado”.

Eu mesmo preciso me policiar para não ser autoritário com meus filhos. É o caminho mais fácil, o modelo que aprendi na infância. E é o mesmo que uso, sem perceber, para controlar comportamentos dos meus cães. Mas o que acontece dentro do cérebro de uma criança que é ensinada a obedecer sem questionar?

Adultos que ainda precisam de adultos?

A infância é o tempo da dependência. A criança precisa de adultos para interpretar o mundo, dar sentido ao caos, proteger do medo. Mas será que, mesmo adultos, continuamos precisando de “figuras de autoridade” para interpretar a realidade por nós?

A criança obediente do passado ainda precisa de um “mestre” a seguir no futuro?

Será que realmente crescemos — ou apenas trocamos os pais por novos “adultos de referência” que nos dizem o que sentir, defender e acreditar?

Os que foram “bons meninos” e “boas meninas” talvez tenham aprendido que seguir regras é mais seguro do que questioná-las. Mas será que parte deles se tornaram, sem perceber, adultos (e idosos) mais suscetíveis à obediência cega ao “líder” que elegeram para idolatria?

O novo palco da velha dependência

Com as redes sociais, as bolhas algorítmicas oferecem direção, segurança e aprovação — e esse comportamento ganhou palco e microfone. Quase todo mundo hoje parece saber mais de saúde do que o médico!

Os algoritmos são especialistas em alimentar certezas e premiar previsibilidade. Quanto mais previsível o usuário, mais tempo de tela ele entrega. Já reparou nisso?

Mas será que, sem perceber, estamos sendo treinados novamente a obedecer — agora não mais a pais e professores, mas a códigos e algoritmos invisíveis? Será que, ao curtir e compartilhar, não estamos apenas repetindo a velha busca por aprovação — agora mediada por máquinas?

As redes sociais nos recompensam quando reagimos rápido e nos punem quando pensamos devagar. Criam um ambiente em que duvidar é desvantagem. E o cérebro, amante da zona de conforto, cede facilmente.

Será que estamos vivendo uma infância coletiva prolongada — social, política e digital?

Estoure a bolha

Entre a obediência do passado e a idolatria do presente, há um mesmo fio invisível: o medo de pensar sozinho. Mas será que pensar sozinho precisa ser um ato de coragem — ou apenas de maturidade?

Enquanto houver medo, haverá quem se apresente como novo messias. Mas o adulto pleno, o que realmente cresceu, não precisa de guias — precisa de bússolas (morais, inclusive). De ideias que o desafiem, não que o tranquilizem. Porque crescer é, no fundo, reaprender a duvidar.

“Penso, logo existo.”

👉 O que você acha? Você também percebe essa “infância prolongada” nas redes? Deixe seu comentário e vamos discutir essa ideia juntos — sem amarras, sem certezas absolutas, apenas boa conversa.

Um grande abraço,

Pai Alfa.

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Pai Alfa
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