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Você está liderando com ciência… ou conveniência?

“Algumas pessoas baseiam suas próprias crenças na consciência dos dados.
Mas a maioria, sem ciência, baseia os dados em suas próprias crenças.”

Outro dia, li uma daquelas pesquisas que reforçam o que a gente já deveria saber: “crianças que se sentem ouvidas cooperam mais”. A ciência do comportamento infantil já tem bem documentado que a escuta ativa reduz birras, fortalece vínculos, aumenta a autoestima. Li, concordei, fechei o artigo satisfeito comigo mesmo.

Duas horas depois, meu filho me interrompeu pela quinta vez durante uma call. Eu me irritei, levantei a voz e dei uma bronca. Ele chorou. E o que eu fiz de imediato? Tentei me justificar: “Você precisa entender limites”… “Na minha época, ninguém tolerava isso”.

Os dados estavam ali. A consciência também. Mas bastou disparar um gatilho pra que eu trocasse os fatos pelas crenças.

Ciencia X Crença previa

Nem vou entrar no mérito da dualidade política atual, onde a frase do início também caberia como uma luva — mas isso é assunto pra outro post.

Contudo, ela serve perfeitamente para muitos ambientes de liderança corporativa por aí. Quantas vezes a gente vê líderes que têm acesso a todos os dados, métricas, análises e tendências — e mesmo assim continuam decidindo com base no puro achismo?

E ainda soltam pérolas como: “Esse colaborador não tem perfil”… “Já tentei delegar e não deu certo”.

Identificou seu chefe aí? Levanta a mão! Bem, acho que a maioria já teve um desses. Se não teve, levante as mãos… para o céu!

Seja no trabalho ou em casa, a lógica é a mesma: a gente quer usar os dados pra confirmar o que já acredita. Poucos têm coragem de usar os dados pra questionar o que acreditam.

Liderar, no fundo, não é sobre estar certo. É sobre estar consciente. É saber que nem sempre o seu instinto é o melhor guia. É saber que autoridade não se impõe — se constrói.

Um líder que ignora os dados porque eles confrontam suas certezas é o mesmo pai que grita com o filho dizendo: “Na minha época era assim”… “Criança tem que obedecer”.

Só que as crianças mudaram. Os tempos mudaram. E, no fundo, você também mudou. Só precisa ter coragem de admitir. 

Não é fácil. Nem na empresa, nem em casa. Mas você vai ter que escolher: Vai ajustar a crença? Ou vai distorcer o dado pra manter o conforto?

Clássica representação de líderes com atitudes opostas

O mais desafiador da liderança — em qualquer esfera — não é ensinar. É reaprender. É aceitar que aquilo que funcionava pra você talvez não funcione pros outros. É parar de usar a própria história como régua absoluta e estar disposto a evoluir.

Você pode continuar baseando sua liderança em frases feitas. Ou pode escolher escutar de verdade — a equipe, os filhos, os dados, e até os silêncios. Porque no fim, liderar não é sobre quem grita mais alto, mas sobre quem tem capacidade de ouvir — e fazer a mudança.

E você? Tem liderado (em casa ou no trabalho) com consciência dos dados ou com conveniência das suas crenças?

Um grande abraço,

Pai Alfa.

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Pai Alfa
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