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A Regra 80/20 da Gestão Pessoal — Lista 1

10 princípios simples que podem evitar uma grande quantidade de problemas

No primeiro artigo desta série, falei sobre uma ideia que me acompanha desde aquela conversa com a Júlia no carro: talvez estejamos complicando demais algumas coisas da vida. Procuramos soluções sofisticadas para problemas que, muitas vezes, poderiam ser minimizados com algumas atitudes bastante simples e consistentes.

Não se trata de acreditar em fórmulas mágicas, muito menos de achar que vinte comportamentos serão capazes de nos proteger de tudo o que a vida pode colocar no caminho. A questão é outra: se existem algumas atitudes com potencial de prevenir uma quantidade desproporcional de problemas, talvez valha a pena começar por elas.

E resolvi dividir minha lista em duas partes. Nesta primeira, vamos cuidar daquilo que sustenta todo o resto: nosso corpo, nossa mente e a forma como nos relacionamos com o ambiente ao nosso redor.

1. Tenha hábitos de higiene adequados

Talvez seja uma das primeiras coisas que aprendemos quando crianças: tomar banho, lavar as mãos, escovar os dentes, cuidar das unhas, trocar de roupa, manter os objetos limpos. Parece tão básico que quase esquecemos o quanto esses hábitos ajudam a prevenir doenças, infecções, problemas dentários e uma série de situações que podem comprometer nossa saúde e até nossa convivência social.

Mas higiene não precisa ficar restrita ao corpo. A casa em que vivemos também precisa de limpeza e organização adequadas, especialmente quando temos crianças.

E existe ainda uma higiene menos óbvia, mas igualmente importante: aquilo que permitimos permanecer na nossa cabeça. Assim como não deixaríamos comida estragada dentro da geladeira, talvez também devêssemos pensar melhor sobre quais pensamentos, informações e estímulos deixamos acumular.

Cuidar da higiene é, em alguma medida, cuidar daquilo que deixamos permanecer ao nosso redor.

2. Garanta a água necessária

Foi justamente a água que deu origem a esta série. Mas, pensando melhor, talvez “beba água” seja uma definição pequena demais para uma necessidade tão profunda.

Precisamos garantir que a água esteja disponível, seja de boa qualidade e seja suficiente para aquilo que precisamos no dia a dia. Isso vale para quem mora sozinho, para uma família com crianças, para uma viagem, para uma emergência ou, simplesmente, para não passar o dia inteiro lembrando de beber água apenas quando a sede aparece.

A hidratação adequada participa de inúmeras funções do organismo e ajuda a prevenir problemas que vão desde desidratação e constipação até cálculos renais. E talvez exista uma lição maior escondida aqui: algumas necessidades básicas são tão essenciais que não deveriam depender de improviso.

Às vezes, cuidar daquilo que parece óbvio é justamente uma das melhores formas de prevenção.

3. Alimente-se de verdade — e de verdades

A primeira parte parece óbvia: cuidar daquilo que colocamos no prato, na boca. Uma alimentação predominantemente baseada em alimentos mais naturais, com variedade e equilíbrio, contribui para a manutenção do peso, da saúde metabólica, cardiovascular e intestinal e reduz o risco de diversas doenças crônicas.

Mas existe outra alimentação acontecendo o tempo todo, e talvez prestemos muito menos atenção a ela.

Também alimentamos a nossa mente.

Todos os dias recebemos notícias, opiniões, vídeos, propagandas, fofocas, indignação, teorias, informações verdadeiras e informações completamente inventadas. Algumas nos ajudam a compreender melhor o mundo; outras apenas consomem nossa atenção e aumentam nossa ansiedade.

Fake news, calúnias e fofocas também têm consequências. O que consumimos influencia aquilo que pensamos, aquilo que repetimos e, muitas vezes, a maneira como tratamos as pessoas.

Por isso, vale uma pergunta simples: que tipo de coisa você permite alimentar seu corpo e sua mente?

4. Mantenha uma distância segura

Distância é uma das formas mais simples de prevenção e talvez uma das mais subestimadas. O ano de 2020 que o diga!

Manter uma distância adequada do carro à frente pode evitar um acidente. Manter distância de uma máquina em funcionamento pode evitar uma lesão. Afastar uma criança de uma situação perigosa pode evitar uma tragédia. E, em determinadas situações, manter distância de uma pessoa, de um ambiente ou de uma discussão também pode ser uma forma saudável de preservação.

Nem tudo precisa ser enfrentado de perto.

Às vezes, a melhor maneira de evitar um problema não é aprender a lidar com ele logo depois que acontece, mas simplesmente se afastar um pouco para ver com mais clareza, e então resolver como enfrentar o problema (ou não).

E isso, de certa forma, nos leva ao próximo item.

5. Não fique preso ao que não faz bem

Existe uma diferença importante entre persistência e insistência. Persistir diante de uma dificuldade pode ser uma virtude; permanecer indefinidamente em algo que nos faz mal pode se transformar em outra coisa.

Isso vale para hábitos, ambientes, relacionamentos, trabalhos, pensamentos e até para culpas antigas que continuamos carregando sem que elas produzam qualquer benefício. Também vale para a nossa zona de conforto: às vezes precisamos sair dela porque ficar parado passou a custar mais do que mudar.

Não precisamos abandonar tudo diante da primeira dificuldade. Mas também não precisamos transformar sofrimento em prova de resistência.

Talvez uma das perguntas mais importantes que podemos fazer de tempos em tempos seja: isso ainda está me fazendo bem?

6. Coloque a segurança em primeiro lugar

Esse é um dos mantras que repito para os meus filhos: segurança em primeiro lugar.

Cinto de segurança, capacete, cadeirinha infantil, atenção ao atravessar uma rua, cuidado com piscina, eletricidade, fogo, ferramentas, medicamentos e tantos outros detalhes fazem parte disso. Mas segurança também está na maneira como escolhemos fazer as coisas. É pensar antes de improvisar, avaliar um risco antes de assumi-lo e entender que coragem não significa ignorar o perigo.

Na vida, alguns erros podem ser corrigidos. Outros deixam marcas permanentes.

Por isso, quando houver uma escolha entre fazer algo de maneira um pouco mais rápida e fazer de maneira mais segura, talvez valha lembrar que alguns segundos economizados dificilmente compensam as consequências, por vezes eternas, de uma má escolha.

7. Evite dependências

Quando falamos em dependência, normalmente pensamos em álcool, cigarro ou drogas. Mas talvez a pergunta mais interessante seja outra: do que você não consegue abrir mão?

Pode ser uma substância lícita ou ilícita, mas também pode ser café, açúcar, celular, redes sociais, apostas, compras, pornografia, trabalho ou qualquer outro comportamento que tenha deixado de ser uma escolha e passado a controlar você.

Não se trata de transformar prazer em pecado ou de demonizar hábitos que podem fazer parte de uma vida equilibrada. A questão é liberdade.

Se algo está sempre no comando, é porque você já não está.

Uma boa maneira de testar isso é imaginar um dia sem aquilo. Se a simples ideia parece insuportável, talvez exista aí alguma coisa que mereça ser observada com mais atenção.

8. Previna em vez de remediar

Já disse aqui antes que sou farmacêutico, e, para mim, essa é uma premissa que vale para a vida.

Fazer exames preventivos, manter vacinas em dia, cuidar da saúde bucal, fazer manutenção no carro, revisar equipamentos, manter documentos organizados, criar uma reserva financeira ou resolver um pequeno vazamento antes que ele vire uma infiltração são manifestações diferentes do mesmo princípio.

A prevenção raramente parece urgente. Talvez por isso seja tão fácil adiá-la.

O problema é que aquilo que hoje custa alguns minutos, alguns reais ou um pouco de disciplina, pode custar muito mais caro quando deixamos para depois.

Prevenir não significa viver preocupado com tudo o que pode dar errado. Significa reconhecer que algumas coisas são previsíveis o suficiente para merecer atenção antes que aconteçam.

9. Respire sempre…

Parece simples demais para estar nesta lista. Talvez justamente por isso seja tão fácil esquecer.

Respirar é uma função automática, mas podemos usar a respiração de forma consciente para criar alguns segundos entre aquilo que acontece e a maneira como escolhemos responder. Em momentos de estresse, ansiedade, raiva ou tensão, desacelerar a respiração pode ajudar a reduzir a ativação fisiológica e recuperar um pouco de controle.

E esse pequeno intervalo pode fazer uma diferença enorme: entre responder ou reagir, entrar em uma discussão ou escolher conversar depois, tomar uma decisão impulsiva ou simplesmente refletir sobre ela. 

Antes de uma apresentação, uma reunião difícil, uma conversa importante ou simplesmente quando a cabeça parece não desligar, parar por alguns instantes e respirar pode ser mais útil do que parece.

Não precisamos respirar para fugir dos problemas. Precisamos respirar para não permitir que uma emoção momentânea decida por nós.

10. Descanse o corpo e a mente

Vivemos em uma época em que estar cansado quase virou sinal de produtividade. Como se a agenda cheia, poucas horas de sono e a sensação permanente de urgência fossem provas de que estamos fazendo o nosso melhor.

Mas ninguém consegue permanecer em alta performance indefinidamente.

O corpo precisa de sono. A mente precisa de pausas. Precisamos de momentos em que não estamos produzindo, resolvendo, respondendo ou tentando chegar a algum lugar. Precisamos também aprender a reconhecer quando o cansaço deixou de ser apenas cansaço.

Uma frase que ouvi de um antigo gestor ficou comigo: “Quem está cansado, descansa; não desiste.”

Quanto mais tempo passa, mais sentido ela faz. Às vezes, o que parece falta de motivação é apenas exaustão. Uma decisão tomada no auge do esgotamento pode parecer definitiva quando, na verdade, tudo o que faltava era recuperar um pouco das forças.

Descansar não resolve todos os problemas, evidentemente. Mas pode evitar que tomemos decisões importantes quando estamos sem energia para enxergar alternativas.

E, em situações de sofrimento emocional intenso, descansar não substitui ajuda profissional. Saber reconhecer os próprios limites e procurar ajuda também faz parte de cuidar de si.

E estas são apenas as primeiras dez

Repare que nenhuma dessas atitudes exige uma vida extraordinária. Não precisamos de uma rotina perfeita, de equipamentos sofisticados ou de uma disciplina sobre-humana para começar.

São escolhas bastante simples, algumas tão básicas que podem até parecer banais.

Mas talvez esse seja justamente o ponto.

Quando pensamos em prevenir grandes problemas, nossa tendência é procurar soluções grandes. Entretanto, muitas vezes, o maior retorno está escondido naquilo que fazemos repetidamente, quase sem perceber.

E ainda faltam dez. Você sentiu falta de alguma até agora? Comente aqui. 

Na próxima parte dessa lista, vamos sair um pouco do corpo e entrar na gestão da própria vida: dinheiro, trabalho, relacionamentos, escolhas, propósito, emoções e tudo aquilo que pode fazer a diferença entre simplesmente passar pelos anos e realmente construir uma vida que faça sentido.

Porque cuidar de si é apenas o começo.

Um grande abraço,

Pai Alfa.

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Sobre o Autor

Pai Alfa
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