A Regra 80/20 da Gestão Pessoal — lista 2
Mais 10 atitudes simples que podem evitar uma grande quantidade de problemas
Na primeira parte desta lista, falamos sobre os cuidados mais básicos: higiene, água, alimentação, segurança, dependências, prevenção, respiração e descanso.
São atitudes que parecem simples porque, de certa forma, precisam ser. Afinal, antes de pensar em construir qualquer coisa, precisamos cuidar daquilo que sustenta nosso corpo e nossa mente.
Mas a vida vai muito além disso. Em algum momento, precisamos aprender a administrar dinheiro, tempo, trabalho, relacionamentos, escolhas, emoções e até a direção que estamos tomando.
É aí que entram as próximas dez atitudes.
11. Tenha um plano B
A ideia de ter um backup costuma aparecer quando falamos de computadores. Todo mundo já conhece aquela sensação de perder um arquivo importante porque ele estava armazenado em um único lugar.
Mas por que fazemos backup dos arquivos e não da própria vida?
Se toda a renda da família depende de uma única fonte, existe uma vulnerabilidade. Se apenas uma pessoa sabe pagar as contas, cuidar de determinada tarefa ou resolver um problema importante da casa, existe outra. Se uma empresa depende de uma única pessoa para manter um processo funcionando, existe mais uma.
Uma reserva financeira, um seguro, documentos organizados, uma segunda competência profissional, alguém preparado para assumir uma responsabilidade ou um sucessor que conhece o trabalho são formas diferentes de construir essa segurança.
Não precisamos viver esperando o pior. Basta reconhecer que imprevistos fazem parte da vida e que sistemas mais preparados costumam ter alternativas quando alguma coisa falha.
Talvez nossas vidas também precisem de um pouco mais de redundância.
12. Resolva pequenos problemas cedo
Existe uma tendência curiosa de adiarmos aquilo que ainda não está causando um grande problema.
A torneira pinga, mas ainda funciona. A dor aparece de vez em quando, mas passa. O relacionamento está estranho, mas ninguém quer conversar sobre isso. Uma conta aperta as finanças, mas ainda dá para pagar. Um processo no trabalho apresenta uma pequena falha, mas ainda não compromete o resultado.
Até que um dia aquilo deixa de ser pequeno.
Muitos problemas grandes são apenas problemas pequenos que tiveram tempo suficiente para crescer.
Isso vale para a saúde, para a casa, para o casamento, para as finanças, para o trabalho e até para a relação com os filhos. Uma conversa difícil costuma ser menos dolorosa quando ainda existe espaço para ouvir, compreender e corrigir.
Resolver cedo geralmente exige menos energia, menos dinheiro e menos desgaste emocional.
Às vezes, a melhor hora para resolver um problema é justamente quando ele ainda parece pequeno demais para merecer nossa atenção.
13. Simplifique o que puder
Vivemos cercados de coisas, compromissos, aplicativos, informações, grupos, notificações, objetos, tarefas e escolhas. Cada uma delas ocupa algum espaço da nossa atenção, mesmo quando não percebemos.
Não estou falando de transformar a vida em um exercício de minimalismo. Mas quem nunca passou por uma reunião que poderia ter sido um e-mail?
Algumas coisas são naturalmente complexas e fazem parte daquilo que escolhemos construir. O que vale observar é quanto dessa complexidade foi realmente escolhida por nós e quanto simplesmente foi se acumulando.
Talvez existam compromissos que já não fazem sentido, objetos que não usamos, notificações que nunca precisariam chegar, processos que poderiam ser mais simples e preocupações que estamos carregando sem necessidade.
Simplificar é liberar tempo e abrir espaço. E tempo e espaço são recursos valiosíssimos!
14. Aprenda continuamente
O mundo muda. As profissões mudam. As ferramentas mudam. As relações mudam. Nossos filhos crescem e passam a exigir de nós conhecimentos que não tínhamos quando eles nasceram.
Aquilo que funcionou ontem pode não funcionar amanhã.
Por isso, continuar aprendendo é uma das formas mais eficientes de preservar nossa capacidade de adaptação ao longo da vida. E aprender não significa necessariamente fazer outro curso ou acumular certificados. Pode ser desenvolver uma habilidade, entender uma tecnologia, ouvir alguém que pensa diferente, estudar um assunto que sempre despertou curiosidade ou simplesmente reconhecer que estávamos errados sobre alguma coisa.
Existe também uma parte menos confortável do aprendizado: algumas vezes precisamos desaprender.
Certas limitações não estão naquilo que ainda não sabemos, mas naquilo que acreditamos saber e nunca mais questionamos.
15. Seja presente de fato
Estar perto não significa necessariamente estar presente.
Podemos passar horas ao lado dos nossos filhos olhando para o celular. Podemos jantar com quem amamos pensando no trabalho. Podemos participar de uma reunião enquanto respondemos outras mensagens. Podemos até conversar com alguém sem realmente escutar o que está sendo dito.
Presença exige atenção, exige escolha.
O tempo que passamos com nossos filhos não volta quando eles crescem. Uma conversa que adiamos pode nunca encontrar outra oportunidade. Um relacionamento pode se desgastar enquanto acreditamos que haverá tempo para cuidar dele depois.
Ser presente de fato não significa estar disponível o tempo inteiro para todo mundo. Significa estar inteiro naquilo e com quem realmente importa quando aquele momento acontece.
Talvez uma das maiores demonstrações de amor que podemos oferecer seja justamente essa: fazer a outra pessoa perceber que, naquele momento, ela tem a nossa atenção de verdade.
16. Faça boas escolhas
Grande parte da nossa vida é construída por escolhas que, isoladamente, parecem pequenas.
Com quem vamos nos relacionar. Onde vamos trabalhar. O que vamos consumir. Como vamos gastar nosso dinheiro. Que hábitos vamos criar. Onde vamos morar. O que vamos ensinar aos nossos filhos. Em que tipo de pessoa queremos nos transformar.
Algumas escolhas mudam a vida imediatamente. Outras só mostram suas consequências anos depois.
Fazer boas escolhas exige, portanto, um pouco mais do que decidir rapidamente. Exige conhecer melhor o que estamos buscando, considerar as consequências e perceber quando uma emoção momentânea está ocupando espaço demais na decisão.
Raiva, medo, ansiedade, frustração, euforia e até entusiasmo podem alterar nossa percepção. Às vezes, algumas horas, uma noite de sono ou uma conversa com alguém de confiança já são suficientes para enxergarmos uma situação por outro ângulo.
Não existe garantia de acertar sempre. Existe, porém, a possibilidade de escolher com mais consciência.
17. Aprenda a lidar com o que sente
Ninguém escolhe sentir tristeza, culpa, medo ou frustração.Essas emoções fazem parte da experiência humana e, muitas vezes, trazem informações importantes sobre aquilo que estamos vivendo.
O problema começa quando passamos a agir automaticamente a partir delas.
Aprender a reconhecer o que estamos sentindo, entender de onde aquilo pode estar vindo e encontrar maneiras saudáveis de lidar com essas emoções é uma habilidade que melhora praticamente todas as áreas da vida. Ajuda na relação com os filhos, no casamento, no trabalho, nas amizades e principalmente na relação que temos conosco.
Também existe maturidade em perceber quando alguma coisa está pesada demais para ser enfrentada sozinho.
Pedir ajuda, conversar com alguém de confiança ou procurar apoio profissional pode ser exatamente o que precisamos para atravessar determinadas fases com mais segurança.
18. Busque o porquê
“Por quê?”
Talvez seja uma das perguntas mais poderosas que podemos fazer.
Na gestão, procurar o porquê ajuda a chegar à causa-raiz de um problema em vez de simplesmente tratar seus sintomas. Na vida, pode fazer algo parecido.
Por que estou tão cansado? Por que estou gastando mais do que deveria? Por que esse cliente deixou de comprar? Por que estou fazendo esse trabalho?
Às vezes, encontramos uma resposta simples. Outras vezes, precisamos perguntar novamente.
O “porquê” também nos ajuda a entender o propósito. Quando sabemos por que estamos fazendo alguma coisa, fica mais fácil perceber o que merece nosso tempo, o que precisa ser revisto e pelo que vale a pena insistir.
Talvez muitas decisões se tornassem melhores se, antes de perguntar “como fazer?”, aprendêssemos a perguntar primeiro: “por quê?”
19. Concentre-se no que importa
É possível passar o dia inteiro ocupado e, ainda assim, terminar a semana com a sensação de que nada realmente avançou.
A agenda fica cheia, as mensagens são respondidas, as reuniões acontecem, os pequenos problemas são resolvidos e várias ações são riscadas da lista de tarefas. No entanto, aquilo que realmente deveria receber nossa energia continua esperando.
Isso acontece no trabalho, e também em casa.
Podemos dedicar horas para manter a rotina funcionando e ainda deixar pouco tempo para aquilo que dá sentido a ela. Podemos cuidar de todos os detalhes da casa e esquecer de conversar com quem mora nela. Podemos trabalhar para proporcionar uma vida melhor para os filhos e, sem perceber, deixar de participar da infância deles.
Pareto aparece novamente aqui.
Nem tudo tem o mesmo peso. Algumas tarefas são urgentes, outras são importantes e muitas apenas parecem importantes porque “fazem barulho”.
Concentrar-se no que importa é aprender a reconhecer essa diferença e proteger espaço para aquilo que realmente queremos preservar, construir ou transformar.
20. Revise sua vida periodicamente
Empresas fazem balanços. Carros passam por revisões. Sistemas recebem atualizações. Equipamentos precisam de manutenção.
E nós?
Quando foi a última vez que paramos deliberadamente para avaliar como está nossa própria vida?
Não apenas a conta bancária ou os exames médicos, mas o conjunto. Como está minha saúde? Meu casamento? Minha relação com meus filhos? Meu trabalho? Minhas amizades? Meu dinheiro? Minha cabeça? Estou aprendendo? Estou descansando? Estou fazendo aquilo que realmente importa? Ainda quero a mesma vida que estava tentando construir alguns anos atrás?
A resposta para algumas dessas perguntas pode mudar com o tempo. E está tudo bem!
Uma revisão periódica permite perceber pequenas mudanças de rota antes que elas se transformem em grandes desvios. Às vezes, precisamos ajustar um hábito. Em outras, mudar uma prioridade. Em algumas situações, talvez seja necessário reconhecer que estamos seguindo em uma direção que já não faz sentido.
Administrar a própria vida não significa controlar tudo o que acontece.
Significa prestar atenção suficiente para perceber quando é hora de ajustar a direção.
E talvez esse seja o verdadeiro 80/20 da vida
Quando comecei esta série [link], minha intenção era encontrar vinte atitudes capazes de evitar uma grande quantidade dos problemas que enfrentamos ao longo da vida.
Depois de percorrer essa lista, percebi que talvez exista algo ainda mais importante por trás dela.
Nenhuma dessas atitudes é extraordinária.
Beber água. Cuidar da higiene. Comer melhor. Respirar. Descansar. Fazer backup. Resolver problemas cedo. Estar presente. Fazer boas escolhas. Perguntar por quê. Rever a própria vida.
Nada disso parece revolucionário.
E talvez essa seja justamente a grande ironia.
A maioria das coisas que realmente importam na vida não precisa ser uma grande descoberta. Precisa ser lembrada, praticada e repetida.
Pareto nos ensina a procurar as poucas coisas que produzem grande parte dos resultados.
Talvez os juros compostos sejam a melhor metáfora para a vida. A diferença é que, nela, eles são calculados em hábitos. Pequenas atitudes que parecem insignificantes no presente, mas que, quando repetidas por anos, produzem resultados que nenhum esforço isolado conseguiria alcançar.
Talvez a gestão pessoal seja, no fundo, uma combinação dessas três ideias: escolher melhor o que merece nossa atenção, repetir com constância aquilo que funciona e corrigir a rota antes que seja tarde demais.
Não vamos conseguir evitar todos os problemas da vida. Alguns simplesmente fazem parte dela.
Mas talvez possamos evitar muitos dos problemas que não precisariam existir.
E, no fim, talvez seja esse o verdadeiro espírito da regra 80/20: não tentar fazer tudo perfeitamente, mas descobrir quais poucas coisas realmente importam e cuidar delas com constância.
Porque uma vida melhor raramente é construída por uma única grande decisão. Ela costuma ser construída por pequenas escolhas, repetidas por tempo suficiente para que seus efeitos se tornem grandes.
E você, acrescentaria alguma atitude a essa lista? Qual delas mais fez sentido para a sua vida? Inclua nos comentários. Vamos trocar ideias.
Um grande abraço,
0 Comentários